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IGREJA NOSSA SENHORA DA PURIFICAÇÃO
História da Igreja Matriz de Muçum e a Fé dos Imigrantes
Os imigrantes italianos que colonizaram o município de Muçum chegaram, em grande parte, navegando pelas águas do Rio Taquari. Foi às margens desse importante curso d’água que se formou o primeiro núcleo habitacional, dando origem ao vilarejo que mais tarde se tornaria a cidade.
Ao redor do local onde as embarcações atracavam, iniciou-se o crescimento da comunidade. Uma das primeiras construções foi uma modesta capela de madeira, erguida em 1903, em honra a Nossa Senhora dos Navegantes, em terras doadas por Joaquim Fialho de Vargas. A pequena capela era atendida por religiosos de diferentes localidades da região, como Vespasiano Corrêa, Encantado e Lajeado.
A forte devoção à santa reunia todos os anos navegantes e fiéis em uma grande festividade no dia 2 de fevereiro, marcada por imponentes procissões fluviais pelo Rio Taquari. Com o passar do tempo e a diminuição da navegação, essas celebrações deixaram de ocorrer sobre as águas e passaram a ser realizadas por terra, mantendo viva a tradição religiosa da comunidade.
Na época, Muçum era oficialmente denominado General Osório. Em 31 de dezembro de 1913, chegou ao vilarejo seu primeiro padre fixo, João Morelli. Nesse período, o arcebispo de Porto Alegre, Dom João Becker, determinou que a capela passaria a ser dedicada a Nossa Senhora da Purificação.
Pouco tempo depois, em 1915, assumiu o padre José Sanson, que permaneceu por breve período. Em seguida, o padre Vicente Testani liderou o início da construção da nova igreja matriz, no mesmo local da antiga capela. Famílias pioneiras — como Vescovi, Zilio, Slongo, Chittó e Patussi — tiveram papel fundamental nesse processo, sendo escolhidas como os primeiros fabriqueiros da comunidade.
A pedra fundamental da nova igreja foi lançada em 23 de setembro de 1917. As obras tiveram continuidade com o padre Constantino Gatti e, posteriormente, com o padre Luiz Segale, que deixou uma importante contribuição artística e cultural. Em 1924, foram encomendadas da Itália imagens sacras do Sagrado Coração de Jesus, de Nossa Senhora de Lourdes e de Santa Bernardette. No mesmo período, o pintor italiano Antônio Cremonese foi responsável pela decoração interna da igreja, criando pinturas que até hoje encantam os visitantes.
Ainda em 1924, mais precisamente no dia 13 de setembro, o curato de Muçum foi elevado à categoria de paróquia. Pouco mais de um mês depois, em 26 de outubro, a nova igreja foi inaugurada oficialmente, reunindo mais de quatro mil fiéis em uma celebração histórica.
Em 1932, chegou ao então vilarejo o padre Lucchino Viero, que permaneceria à frente da paróquia até 1964. Sua atuação foi decisiva não apenas na vida religiosa, mas também no desenvolvimento social e político da comunidade. Ele foi um dos grandes incentivadores da emancipação de Muçum, além de liderar importantes obras, como a construção da Casa Canônica, da torre da igreja, do salão paroquial e a aquisição dos sinos. Também criou o coral da paróquia e desenvolveu diversas ações sociais.
Em 1959, padre Lucchino Viero, junto à comunidade, celebrou a emancipação do município de Muçum — um marco histórico que consolidou o crescimento da localidade. Mesmo após sua saída, em 1964, seu legado permanece vivo na memória da população.
A Igreja Matriz recebeu melhorias ao longo dos anos, incluindo a instalação de um relógio na torre em 1984. Em 2014, passou por um importante processo de restauração, no qual foram preservadas as pinturas originais, com trabalho realizado pelo artista catarinense Valcir Santin.
Hoje, a Igreja Matriz Nossa Senhora da Purificação permanece como um dos principais símbolos históricos, culturais e religiosos do município, refletindo a fé, a união e a identidade do povo muçunense.
A igreja está aberta para visitação de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h30 e das 13h às 17h20. Nos finais de semana, abre apenas durante a realização de missas, já que atualmente não há padre residente.